Talvez
eu devesse ter dito mais o quão linda ela se fazia pelas manhãs. Falar o quão
lindas – por dentro e por fora – as pessoas são deveria ser algo mais comum,
pois, convenhamos, quem
não gosta de saber que é lindo para quem carrega o nosso coração? Talvez eu devesse ter tido mais
paciência com seus defeitos, ter falado mais o que eu gostaria de dizer. Me
controlei demais, me entreguei de menos, me fiz superior por algo tão menor que
a emoção de sentir o momento.
Mesmo
com todas as razões do mundo, eu deveria ter dito mais coisas sem razões. Dizer
coisas sem pensar é mostrar, puramente, o que a gente sente. Às vezes a gente
fica pensando muito no que deve sentir, no que deve falar, e perde a
naturalidade dos sentimentos. Perde a autenticidade, e a beleza, de sentir o
que a gente sente.
Me lembro bem como no começo das minhas emoções de adolescente, eu me fazia paixão por qualquer menina que passasse. Sempre fui muito apaixonado. Criava mundos, imaginava futuros e colocava nomes em qualquer desenho de família que eu fizesse – até nos cachorros. Me sentia num filme, onde os finais felizes existiam e, na minha imaginação fértil, encontraria o meu amor esbarrando pelo colégio enquanto ela carregaria seus livros de biologia e química. E quem poderia me dizer o contrário? Amar me parecia tão fácil. Que saudade daquela paixão cheia de medo do mundo acabar.
Nisso a gente cresce, muda de sonhos, esnoba os medos do passado e vê como éramos só um adolescente que vivia um lindo sonho. Colecionamos traumas, medos e pessoas. Dizemos não acreditar no amor e que pessoas interessantes não existem mais. Pensando assim, eu me julgava maduro com as mudanças do meu sentir, me vendia seguro e determinado. Voava entre beijos e demonstrava estar bem melhor agora. Como se eu fosse autossuficiente. Como se esse fosse o auge da minha maturidade. Mas pouco sabia que controlar os sentimentos não era maturidade, mas medo.
É muito fácil viver sozinho. É muito fácil guardar o que temos vontade de falar para a gente. Difícil é ter coragem de dizer e aguentar as consequências das palavras. Difícil é deixar o sentimento ser maior que o orgulho. Difícil é entender que a solidão pode ser momento, mas não a fuga eterna do amor.
E depois, com a idade e o passar da besteira de ser orgulhoso, descobri que atrás da frieza só havia amor. Percebi o tempo que perdi mascarando o que não sou. Se eu sou paixão, por que me fazer rigidez? Se sou os ombros leves de uma linda paixão, por que me vender como pés firmes? Nisso pedi a mim para me deixar viver. Deixar sentir. Deixar ser. Deixar rir das dores.
Engraçado observar essas fases da vida, como começamos sendo puro amor, nos magoamos e nos achamos no direito de nos fecharmos para o mundo. Depois de abandonarmos vários corações gigantes, percebemos quanto tempo perdemos brincando de não sentir. A verdade é que um dia com a verdadeira maturidade – por mais antagônico que seja – a gente aprende que ter razão nos sentimentos é besteira. A razão tira a alegria, tira o frio na barriga, tira o medo de ser feliz. E a felicidade precisa de medo, pois é com ele que vem a surpresa de ser feliz novamente. Usar a inteligência para administrar os sentimentos é um vício dos traumas. Então ciente de que, junto com os amores, o tempo passa, estou preferindo ser feliz a ter razão.
Entendendo a importância do tempo, um dia a gente aprende que o final feliz não é garantido. Aprende que o filme termina no meio e talvez a gente viva sem ver o final que espera. Hoje prefiro aprender a lidar com a dor do que mudar a essência do que sempre fui. Eu sou plena paixão e talvez devesse deixar isso mais claro, todos os dias, para mim mesmo.
Me lembro bem como no começo das minhas emoções de adolescente, eu me fazia paixão por qualquer menina que passasse. Sempre fui muito apaixonado. Criava mundos, imaginava futuros e colocava nomes em qualquer desenho de família que eu fizesse – até nos cachorros. Me sentia num filme, onde os finais felizes existiam e, na minha imaginação fértil, encontraria o meu amor esbarrando pelo colégio enquanto ela carregaria seus livros de biologia e química. E quem poderia me dizer o contrário? Amar me parecia tão fácil. Que saudade daquela paixão cheia de medo do mundo acabar.
Nisso a gente cresce, muda de sonhos, esnoba os medos do passado e vê como éramos só um adolescente que vivia um lindo sonho. Colecionamos traumas, medos e pessoas. Dizemos não acreditar no amor e que pessoas interessantes não existem mais. Pensando assim, eu me julgava maduro com as mudanças do meu sentir, me vendia seguro e determinado. Voava entre beijos e demonstrava estar bem melhor agora. Como se eu fosse autossuficiente. Como se esse fosse o auge da minha maturidade. Mas pouco sabia que controlar os sentimentos não era maturidade, mas medo.
É muito fácil viver sozinho. É muito fácil guardar o que temos vontade de falar para a gente. Difícil é ter coragem de dizer e aguentar as consequências das palavras. Difícil é deixar o sentimento ser maior que o orgulho. Difícil é entender que a solidão pode ser momento, mas não a fuga eterna do amor.
E depois, com a idade e o passar da besteira de ser orgulhoso, descobri que atrás da frieza só havia amor. Percebi o tempo que perdi mascarando o que não sou. Se eu sou paixão, por que me fazer rigidez? Se sou os ombros leves de uma linda paixão, por que me vender como pés firmes? Nisso pedi a mim para me deixar viver. Deixar sentir. Deixar ser. Deixar rir das dores.
Engraçado observar essas fases da vida, como começamos sendo puro amor, nos magoamos e nos achamos no direito de nos fecharmos para o mundo. Depois de abandonarmos vários corações gigantes, percebemos quanto tempo perdemos brincando de não sentir. A verdade é que um dia com a verdadeira maturidade – por mais antagônico que seja – a gente aprende que ter razão nos sentimentos é besteira. A razão tira a alegria, tira o frio na barriga, tira o medo de ser feliz. E a felicidade precisa de medo, pois é com ele que vem a surpresa de ser feliz novamente. Usar a inteligência para administrar os sentimentos é um vício dos traumas. Então ciente de que, junto com os amores, o tempo passa, estou preferindo ser feliz a ter razão.
Entendendo a importância do tempo, um dia a gente aprende que o final feliz não é garantido. Aprende que o filme termina no meio e talvez a gente viva sem ver o final que espera. Hoje prefiro aprender a lidar com a dor do que mudar a essência do que sempre fui. Eu sou plena paixão e talvez devesse deixar isso mais claro, todos os dias, para mim mesmo.
Via: Sabias Palavras



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