Eu tava numa festa e já era hora de ir
embora, tava tocando música de ir embora e tava todo mundo com cara de que a
gente deveria ir embora. Tocou aquela da Anitta com o Projota, nem adianta
torcer a cara, você deve saber qual era. Ouvi dando um passinho pra cá, outro
pra lá, amores fracos não merecem o meu tempo. Apaguei em casa uma hora depois.
Sabe, eu nunca achei que amor poderia
ser fraco. Se era amor, era um baita dum cometa atravessando a gente sem aviso
de chegada. Era o nosso apocalipse zumbi sem resistência, nosso Resident Evil
com final feliz – e sem Umbrella Corporation que estrague tudo. Era a
coxinha-salvação-do-final-da-balada que ficava bem na esquina com a praia, dava
pra ver o sol nascendo mesmo com os olhos ardendo da lente de contato. Era
aquele trem que vai matar um dos dois em alguns minutos se o outro não se jogar
na frente. É tudo isso.
Acho que entendo a Anitta porque
talvez não fosse amor. Talvez fosse alguma outra coisa, ou ela não entendeu que
amor é uma memória fixa que cutuca e faz a gente gaguejar quando vê a tal
pessoa. Eu gaguejava o tempo todo quando você falava com outro cara, gaguejava
quando você tava no Brasil e eu tava na Argentina, gaguejava até quando conheci
o seu segundo namorado depois de mim. Não é questão da gente ter durado tanto
tempo ou não, sei que tempo nenhum afastaria a gente nesse sentido.
Se o tempo afastar a gente, será que o
nosso amor foi fraco demais? Mesmo com tudo isso, com o sentimento de que você
tem um lugar aqui dentro que ninguém toma, mesmo sabendo que outros amores
virão, mas conquistarão outros espaços fora desse. Esse aqui é só seu. Amores
serão sempre amáveis. Se o tempo afastar a gente, acho que não era amor. Amor
fica, a gente talvez não. Mas o sentimento é impossível de ser apagado da
gente.
Você vai ser sempre uma pessoa bonita
que coloriu uma parte de mim, feito tatuagem em aquarela num lugar especial.
Vai ser aquela pipoca com caldo knorr durante um filme horrível. Vai ser o
único aplauso do meu show bêbado de stand-up comedy num karaokê da Liberdade.
Você vai ser um monte de coisas que os outros não serão. E amor é meio que isso,
mesmo que já tenha passado, ele reserva um lugar pra pessoa na vida da gente
que não tem mais volta.
Talvez a Anitta tivesse dizendo que
amores fracos, daqueles que nem deixam marcas, não merecem o nosso tempo. Nesse
caso, acho que nem foram amores. E, se não são amores, eu concordo com ela.
Texto de autoria Daniel Bovolento do blog Entre todas as coisas
Super vale a pena acessar o blog, pra quem gosta de ler <3



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